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Glam Magazine

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A Menina Júlia… no Teatro do Bairro

A tensão dramática que acompanha Menina Júlia é dos aspetos que mais importam numa apropriação deste texto. Para lá dos elementos simbólicos relativamente explícitos ou das divagações psicologistas que lhe dão um tom datado, é no despropósito em que toda a situação se dá e na submissão desastrada das personagens à pulsão erótica e aos seus ressentimentos que nos reencontramos.

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A peça descreve o movimento e a vertigem dum par amoroso enredado numa casualidade que os esmaga e sacrifica. As suas estruturas existenciais (social, psicológica e emocional), desmoronam-se no momento em que usam da sua aparente liberdade para as transcenderem. Ficam eles, e só eles, a esgrimirem-se com palavras, olhares, reações, avanços e recuos, impelidos pelos corpos, sedentos, algozes inadvertidos, expostos numa humanidade que não sabe o que fazer com toda aquela «roupagem moral» e que sai derrotada. O abismo que se abre fala-nos – aos gritos! – sobre a nossa vulnerabilidade. É sobre este sítio que nos debruçaremos.

 

Autoria: August Strindberg;

Tradução: Augusto Sobral;

Encenação: Nuno Nunes;

Interpretação: Anna Knipper, Graciano Amorim, Vera Lagoa;

Vídeo: Paulo Quedas;

Fotografia: Nico Scontrino;

Apoio: ACT – Escola de Actores

 

Teatro do Bairro (Lisboa)

26 a 29 de Outubro 2017 | 21.30h / 17.00h