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Glam Magazine

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A tortura de ontem, de hoje, de sempre… “Pedro e o Capitão”

O texto dramático “Pedro e o Capitão”, do escritor uruguaio Mário Benedetti, foi publicado em 1979, três anos depois de o autor ter sido deportado pela ditadura militar que governava o seu país. Encena um interrogatório feito por um capitão das forças armadas a um ativista de esquerda daquela conturbada época da América Latina. Continua, porém, a ser levado a cena em teatros de todo o mundo, provavelmente porque a História se repete e a batalha psicológica entre torturador e torturado se mantém tão atual como sempre foi: nas masmorras da inquisição ou em Guantánamo, nas celas da PIDE ou em qualquer outro local onde não reine a democracia.

Pedro e o capitão

Indagação da psicologia de um torturador, “Pedro e o Capitão” chega no próximo sábado, 21 de outubro, pelas 21h30, ao Teatro Municipal de Matosinhos-Constantino Nery, numa encenação Marta Carreiras e Romeu Costa para este clássico da dramaturgia latino-americana.

 

Coproduzido pelo Teatro Municipal de Matosinhos-Constantino Nery e pelo São Luiz Teatro Municipal, “Pedro e o Capitão” conta com a interpretação de dois nomes grandes do teatro português, Ivo Canelas e Pedro Gil, que dão corpo a um espetáculo que procura explorar os limites da comunicação cénica através da combinação das ferramentas do teatro e do cinema. O espetáculo conta, por isso, com uma peça do videasta João Gambino, sendo a música e espaço sonoro assinados por Pedro Salvador. A cenografia e figurinos estão a cargo de Marta Carreiras.

 

Colocando em cena a emocionante luta psicológica entre quem tortura para obter informações e quem se empenha em ocultá-las a todo o custo, a peça acompanha o processo mental das duas personagens e a evolução respetiva. “Pedro e o Capitão” constitui, assim, uma reflexão útil e necessária sobre uma prática ainda frequente e, mais do que isso, sobre os mecanismos do poder. “A prática da tortura enquadra a temática de fundo e a grande manipulação, psicológica e visual, estabelece as regras do jogo”, lê-se no texto de apresentação do espetáculo.