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Glam Magazine

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Ao comando de uma voz… (Reportagem)

Caetano apresenta Teresa Cristina é o nome do espetáculo. Na verdade, a senhora do samba dispensa apresentações e comanda com mestria a primeira parte. Mesmo mostrando-nos que o moinho da vida – ah, Cartola, vamo conversar um bocadinho sobre esse moinho? Pode ser na Mangueira mesmo… – é por vezes implacável fez isso com tamanho dengue que a amargura até passou ao lado.

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A doçura continua, o sol traz bom dia, e com “Alvorada” a voz de Teresa toma conta da sala. Forte, afinada, rasga o silêncio do coliseu como quem convida para um chorinho de “fim de tarde no rio”. A voz irrompendo como se, abraçada pelas sete cordas de Carlinhos, abraçasse a sala inteira. E o músico não se poupou e encantou com a destreza do seu de dedilhar. Foi forte o aplauso!

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Teresa também não mede esforços para conquistar a plateia: “Agora cê vê a crueldade do sujeito " eu não vou falar mais para não te magoar, minha filha"” – elabora sobre a letra de Tive Sim. “Imagina uma mulher fazendo isso, vamos ver como seria… “ – conclui, provocando um riso generalizado. Terminando a homenagem a Cartola, fecha com uma das suas mais reconhecidas composições. “As Rosas Não Falam” recebe aplauso comovido.

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Chegado o momento de reverter apresentações, a voz do samba carioca diz apenas “Ele é foda”. E é. Caetano senta-se na solidão de quem olha para dentro e inicia a narrativa naquela sua voz inconfundível, que parece não mudar nunca. Uma voz capaz de segurar uma hora de concerto, apenas na companhia do violão. E o coliseu respeito, prestou reverência e ouviu… até que a emoção toca! “Meu bem, meu zen, meu mal”, ouvia-se timidamente.
Leãozinho, apesar de diminutivo, soltou o rosnar uníssono do público. Cerimónias à parte, o bater de palmas intensificava-se a cada nova música como o desembrulhar de mais e mais um presente. Caetano seguiu a dedilhar por mais 12 músicas, parando apenas para uma contextualização histórica de duas composições da época da Ditadura Militar. Não se ouviu Tropicália mas ouviu-se "fora Temer". Contido, diz apenas "é isso aí". Sem mais, leva-nos a passear na floresta escondida, dá-nos um Abraçaço e rolam lágrimas para quem está Sozinho. A força do público, estranha ou não, junta Caetano Veloso, Carlinhos 7 Cordas e Teresa Cristina para o que seria o momento mais vibrante da noite.

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Caetano, voz e Violão. E Foi, quase....

Todas as fotos aqui: Caetano & CristinaCaetano Veloso e Teresa Cristina

 

Reportagem: Telma Luis

Fotografias: Sergio Magalhães