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Glam Magazine

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Discos: “Guitarra Makaka” - Tó Trips

“Guitarra Makaka: Danças a um Deus desconhecido” é o segundo disco a solo de Tó Trips, guitarrista dos Dead Combo.

O disco tem data de lançamento a próxima segunda feira dia 6 de abril 2015.

A edição em vinil esta agendade para dia 18 do mesmo mês Integrado no Record Store Day 2015.

tt.jpgQuem recorda Tó Trips nas guitarras dos Amen Sacrisiti ou como líder dos Lulu Blind, ainda não está convencido da sua “transformação”.

O homem que gritava em palco, com a guitarra abaixo dos joelhos, é o mesmo que hoje se debruça sobre a guitarra acústica, silencioso, aparentemente alheio ao rumor do público.

O que aconteceu? Escolha-se um motivo: amadurecimento, necessidade de introspecção, cansaço provocado pelo excesso de electricidade.

São todos plausíveis, mas enuncie-se o mais “prosaico”: os seus gostos, os seus interesses musicais modificaram-se. Prudência. Mesmo nos Lulu Blind, Tó Trips arranjava tempo para sacar de canções “acústicas” e a energia do rock ainda chispa, com violência, nos Dead Combo.

Acontece que na sua obra a solo, as cordas da guitarra acústica, a ressonância do instrumento e a solitude dos acordes tornaram-se soberanos. E a identidade musical, a “voz” de Tó Trips, tem-se construído, progressivamente, com as melodias, os ritmos, as composições, as possibilidades e os acasos que habitam a música acústica. Não se trata de um monólogo sonoro, pois, desde então, Trips tem conversado com Carlos Paredes, Joseph Spence, a Andaluzia, Peter Walker ou o blues africano – sem privilegiar ninguém.

Ouve-os a todos, com o mesmo agrado e atenção. O seu fito tem sido apenas um: criar música nova a partir dos gostos ou dos afectos que partilha nessas conversas.

"Guitarra Makaka: Danças a um Deus Desconhecido", o seu novo trabalho, é música nova, que evoca a tristeza lânguida das mornas de Cabo Verde, a sofisticação ditosa da música do Mali ou uma Lisboa que, numa alegria envergonhada, convida o Mediterrâneo para um baile de verão.

"Tem influências africanas, portuguesas, orientais e árabes! [O disco] é como se fosse um compêndio de temas tradicionais dessa ilha imaginária, com tanto de primitivo como de clássico", refere Tó Trips.

A capa do segundo disco a solo do guitarrista, depois de "Guitarra 66" de 2009, é inspirada num original de Jean Michel Moreau le Jeune para a reedição de 1803 de um livro de Voltaire intitulado Candide ou l'Optimisme.

 

Guitarra Makaka: Danças a um Deus Desconhecido

Edição Mbari / Rastilho Records (Abril 2015)