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Glam Magazine

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Discos Portugueses do ano… “Máquina del Amor” dos Máquina del Amor

Não há um ponto de entrada fácil para a música de Máquina del Amor. E ainda bem que assim é. As máquinas são complexas. E o amor, ainda mais.
Quatro almas musicais uniram visões e vontades, sedes e prazeres, e decidiram exorcizar memórias e géneros. Ao sabor de melodias ecoantes, promovem uma experiência inclusiva, penetrante, futurística e teletransportante.

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Existem calafrios. Existem arrepios. O fantasmagórico e o enigmático dão lugar ao intenso pulsar; um ritmo inebriante, semiclubbing. Num piscar de olhos os fumos da noite, as luzes das pistas de dança, e o calor dos corpos, tudo se une num espetáculo divino, libidinoso, lascivo e deliciosamente pecaminoso. As músicas de Máquina del Amor não vivem exclusivamente em zonas erógenas. Entre os silêncios existe uma abordagem xamânica. O intenso transe, dá origem a metamorfoses; corpos e espíritos fundem-se no ar, espalhando o aroma e o espectro da eternidade.
Máquina del Amor é uma reminiscência do pós-rock.

Máquina del Amor é uma ramificação do experimentalismo sem rede.

Máquina del Amor é industrial.

Máquina del Amor é escabroso. Soa a ecos de relações e de vivências. É intenso. Sabe, cheira e sente-se sangue; dispersa a fragância de pétalas de rosas, de orquídeas e de incensos misteriosos. Há uma sensação de descoberta. Há a Revelação. Um convite direto e luciferiano, num ritmo frenético, pungente e enraivecido. A bateria, os teclados, as guitarras estridentes, o baixo rugoso e cíclico liberta-nos, transforma-nos. E aceitamos. Desejamos essa metamorfose.


Em Máquina del Amor, Filipe Palas (Smix Smox Smux), José Figueiredo (Smix Smox Smux e peixe:avião), Ronaldo Fonseca (peixe: avião) e Miguel Macieira (Smix Smox Smux) promovem uma expressão de conectividade que surge a partir da passagem do tempo; descrevem e negam - brilhantemente - a realidade desse mesmo tempo.

Márcio Alfama de Freitas

 

Edição: Azul de Tróia / 4 Novembro 2015 (disponivel aqui)