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Glam Magazine

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Discos / review: “Fool’s Gold” – The Walks

Falar dos The Walks é falar de Gonçalo Carvalheiro, Hélder Antunes, John Silva, Miguel Martins e Nelson Matias que cruzaram os seus caminhos em meados de Setembro do ano de 2012.

Mas é em 2014 com a inclusão do tema “Redefine” na colectânea “Novos Talentos FNAC 2014” que a banda se torna conhecida e que serviu de suporte ao EP “R” editado no mesmo ano.

the walks - front.jpgEntretanto em 2015, a banda grava e edita “Fool’s Gold”, um disco que acaba por corresponder e bem às expectativas criadas em 2014. É um disco para ouvir do inicio ao fim, sem pausas e de preferência bem alto…. Como eu gosto de ouvir. São 12 temas, dos quais 10 originais. Podia falar de “redefine”, o tema que lançou a banda mas não vale a pena, é demais conhecido e apreciado para falar.

O disco “arranca” com um “clockwork”, o single de apresentação do álbum, mas é com “lost in the crowd” que se encontra a sonoridade da banda, o som que queremos encontrar. O beat numa mescla de rock baseado num baixo potente e numa percussão única que ao vivo ganha mais notoriedade com a presença em palco da Paula Nozzari. O som “sujo” e garage-rock segue o seu caminho com riffs calculados e uma voz a trazer à memoria os anos 60 com o tema “holding on”, do meu ponto de vista e de audição um dos melhores, se não o melhor tema do disco.

Seguindo o alinhamento, “loaded gun” segue a linha traçado no inicio do disco com “clockwork”, um tema que resume em 3 minutos as várias influencias da banda, desde o beat/rock dos anos 60 até rock & roll de meados das décadas de 70. “move along”, um dos temas mais energéticos do disco, prova disso é a sua apresentação ao vivo, segue a linha anos 70 uma percussão forte e bem vincada e um riff de guitarra na fronteira do punk, mas que resulta num som único e envolvente.

O alinhamento do disco faz redescobrir “redefine”, o tema editado em 2014 e que passa para segundo plano perante temas mais vincados, mas mesmo assim, passado um ano é uma referência neste disco e na carreira dos The Walks. Saltamos para “pleasure and pain” onde alguma, excelente sonoridade psicadélica, proveniente de uma garagem dos anos 60 salta para primeiro plano. “midas touch”, é curto, sujo e eficaz. È um daqueles temas onde a banda mostra que mesmo sem voz, a música que produzem está lá, e é para ouvir. “hell of a dream” traz aquilo que ainda não tinha escutado no disco, feedback e distorção q.b. mas que resulta e que complementa os riffs que sobressaem da guitarra e do baixo… Com a ajuda de Vitor Torpedo, “riding the vice”, não sendo um original neste disco, transporta os nossos sentidos para o outro lado do oceano. Um som Rock FM, a banda sonora ideal para ouvir a conduzir… quem sabe pelos Estados Unidos…

A viagem sonora continua ao longo das 12 faixas do álbum e o folk/rock marca a sua presença no disco. “out of luck”, numa mescla acústica bem elaborada corrobora da analise que a banda consegue construir temas baseados nas mais variadas sonoridades e influencias. Não sendo um dos meus temas favoritos, é de enaltecer a mestria que a voz de John desenrola o tema. O disco encerra com “inside out”, como que um resumo da obra apresentada. Aqui o psicadelismo, o rock e até alguma influência de Seattle andam de mãos dadas ao longo de 6 minutos, como que a encerrar com chave de ouro um disco que merece ser ouvido muitas vezes.

Deixo para o fim o tema de abertura “clockwork”, o chamado cartão de visita do disco, que não sendo genial como alguns temas no disco, é um bom cartão de visita mas “esconde” algumas genialidades musicais no álbum.

the walks - back.jpgComo análise final, o disco “Fool’s Gold” é um verdadeiro compêndio musical, e ajuda a ilustrar musicalmente a história do beat e do garage-rock no século XXI. Um disco que marca o ano de 2015 em termos de edições discográficas nacionais e um sério candidato a um dos melhores álbuns do ano.

A edição é da Lux Records e estará à venda em finais de Setembro.

 

Paulo Homem de Melo