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Glam Magazine

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Festival Entremuralhas 2017… Pop Dell’arte

A Fade In - Associação de Acção Cultural leva ao Castelo de Leiria um cardápio sonoro absolutamente luxuoso para a 8ª edição do Festival Entremuralhas.

Quatro bandas iconográficas com mais de 30 anos de carreira e uma série de novos valores emergentes na cena alternativa mundial, criteriosamente seleccionados e prontos para surpreender, como é sempre apanágio deste evento "único no mundo e aqui tão perto!"

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Formados em 1985 os Pop Dell’arte mostraram, desde cedo, que a sua música tinha uma linguagem feita de várias linguagens. “Free Pop”, o álbum de estreia editado em 1987 foi uma autêntica pedrada no charco, em grande parte incompreendido à época (sobretudo pelos mais conservadores estéticos) mas elevado a obra prima, anos mais tarde, observado à distância e comparado com a vigência musical de então. Temas como “Berlioz”, “Rio Line”, “Loane & Lyane Noah”, “Turin Welisa Strada”, “Bladin” ou “Juramento Sem Bandeira (este com Adolfo Luxúria Canibal)” eram tão admiráveis quanto provocatórios e grangeram, desde logo, uma horda de fãs fieis que, ávidos de novas derivas e diatribes musicais, encontraram na banda um porto seguro até aos dias de hoje. “Contra Mundum”, o álbum mais recente, é outra obra de grande categoria que voltou a “passar ao lado” dos mais incautos, mas não dos mais atentos. Os Pop Dell’arte nunca se poderiam dissociar do talento e da inteligência do seu vocalista e fundador João Peste (o outro membro original é José Pedro Moura). Peste, é uma figura histórica e iconográfica do circuito alternativo português sendo, igualmente, um dos responsáveis pela visibilidade seminal desse mesmo circuito, sobretudo quando em 1986 fundou a editora Ama Romanta (etiqueta por onde passaram nomes incontornáveis como Mão Morta, Telectu, Anamar, Mler Ife Dada, Santa Maria Gasolina Em Teu Ventre, Pascal Comelade, Sei Miguel, Nuno Canavarro ou Essa Entente, para além, claro, dos próprios Pop Dell’arte …). João Peste sempre assumiu que os seus projectos musicais eram uma espécie de prolongamento da sua personalidade (inventiva, artisticamente disruptiva e experimentalista quanto baste, acrescentamos nós). Mas o território único e incomparável da banda foi erigido também através da fusão de personalidades de todos os músicos implicados no processo criativo dos Pop Dell’arte.

E foram muitos os que por lá deixaram marcas: Ondina Pires, Rafael Toral, Sapo, Luis San Payo, JP Simões, João Paulo Feliciano ou Nuno Rebelo, só para citar alguns… A forte e vincada configuração estética da banda nunca se perdeu. 26 anos separam o marcante e industrial “Illogik Plastik” de “Anominous” (tema de 2015 – e o mais recente que se conhece da banda) mas a transgressão artística e a insurreição poética continuam tão presentes hoje como no passado.

E é isso que destingue os Pop Dell’arte e que os torna tão especiais.

 

Festival Entremuralhas 2017 / Leiria (Palco Corpo)

24 de Agosto 2017 | 00.00h