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Glam Magazine

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Inauguração da Exposição “Retornar – Traços de Memória”

A partir da exposição Retornar - Traços de Memória que inaugura a 4 de Novembro, na Galeria Av. da Índia, a cidade propõe, ao longo de quatro meses e em vários espaços, uma reflexão sobre os 40 anos da vinda das ex-colónias portuguesas de África através de debates, teatro, performances, visitas comentadas e intervenção urbana na zona ribeirinha. Retornar - Traços de Memória é uma iniciativa da empresa municipal de cultura de Lisboa, EGEAC, desenvolvida pelas Galerias Municipais de Lisboa para assinalar os 40 anos do movimento que ficou conhecido por retorno das ex-colónias portuguesas e teve o seu auge na ponte aérea de 1975.

Foto Alfredo Cunha.jpgCom uma programação transdisciplinar que decorre ao longo de quatro meses, a iniciativa apresenta olhares da arte, literatura, antropologia, história e política para promover o diálogo e o conhecimento sobre o fim do império colonial português. Num projecto que promove o cruzamento entre as artes e as ciências humanas, a exposição inaugura um novo espaço expositivo: a Galeria Av. da Índia, em Belém. Comissariada pela antropóloga Elsa Peralta, a iniciativa baseia-se em investigação académica no diálogo com o trabalho de artistas, como Manuel Santos Maia. Com um enfoque na experiência humana, a exposição inclui testemunhos pessoais inéditos, documentos históricos, fotografias de época e de autor e memorabília pessoal.

Na zona ribeirinha, junto ao Padrão dos Descobrimentos, haverá uma intervenção urbana com contentores que introduz o tema da exposição através da exibição de uma fotografia de Alfredo Cunha, tirada naquele preciso local, em 1975.

 

Segundo Joana Gomes Cardoso, Presidente do Conselho de Administração da EGEAC: “Com esta exposição queremos assinalar a memória de um momento excepcional que marcou a história recente do país e da cidade e reflectir sobre o fim do império colonial português e o que ele representa hoje. Nada melhor que a zona de Belém e o Padrão dos Descobrimentos para acolher essa reflexão.”

“Esta exposição pretende capturar traços da memória do movimento que ficou conhecido por retorno. Estes traços revelam-se através de testemunhos pessoais, da fotografia, de objectos e de fontes históricas, não procurando no conjunto fornecer uma interpretação fechada sobre este momento histórico, mas fazer um convite à discussão deste tema na sociedade portuguesa”, acrescenta a comissária científica da exposição, Elsa Peralta.

Ao longo dos quatro meses em que a exposição estará patente ao público, o Padrão dos Descobrimentos, local simbólico da construção da memória imperial portuguesa, acolherá debates que reflectem diferentes olhares sobre este momento histórico, através de personalidades como Eduardo Lourenço, Adriano Moreira, Dulce Maria Cardoso, entre outros. Na Galeria Av. da Índia, um programa de visitas comentadas, que promove a reflexão sobre a experiência do retornar, conta com a participação de académicos e ensaístas como Maria Filomena Molder e António Pinto Ribeiro. O início e o encerramento da exposição serão assinalados com uma performance de Joana Craveiro, actriz e encenadora com um vasto trabalho artístico sobre questões pós-coloniais, que apresentará no Padrão dos Descobrimentos Um museu vivo de memórias pequenas e esquecidas.

 

Fotografia: Alfredo Cunha