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Glam Magazine

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MEO Marés Vivas… E ao terceiro dia... é o fim do MEO Marés Vivas

O Festival MEO Marés Vivas chega ao fim, pelo menos na configuração a que estamos habituados. Mas o que aconteceu neste último dia foi algo de inimaginável.

MMV-2017-STING-3 (Cópia)

A última edição do festival MEO Marés Vivas na Praia do Cabedelo não poderia ter sido melhor. Do Palco Santa Casa ao Palco MEO, do número e festivaleiros ao facto de ser domingo, tudo correu pelo melhor. O MEO Marés Vivas está de boa saúde e promete continuar, ... apenas não da mesma forma e no mesmo local.

 

MMV-2017-ATOA-13 (Cópia)

Átoa

Diretamente de Évora para o Marés Vivas, os Átoa estiveram no Palco Santa Casa." Átoa" pode ter sido a forma como iniciaram, mas não foi essa a postura que tiveram em cima do palco. Com alguns temas sobejamente conhecidos, lembraram outros tempos de juventude. De D'Zrt (tema dos Morangos com Açúcar) a uma versão adaptada de "Põe a Mão no Ar", todos aderiram à boa onda dos "miúdos". Com uma (santa) casa bem composta, foram os últimos a atuar no palco secundário e abriram o apetite para os nomes mais sonantes.

MMV-2017-JOESUMNER-5 (Cópia)

Joe Sumner

O dia era de Sting, mas foi o seu filho Joe Sumner o primeiro a pisar o Palco MEO. Enveredando apenas uma guitarra elétrica, trouxe recordações antigas a quem é(ra) fã dos Police. Contrariamente ao seu pai, Joe Sumner toca guitarra e não baixo, mas as semelhanças físicas e vocais são tão grandes que é impossível falar de um sem que o outro entre no tema. Musicalmente, Joe Sumner tem um registo bastante diferente de Sting. Um concerto totalmente a solo, apenas à guitarra, não foi a melhor forma de abrir o festival. O Palco MEO tinha já uma pequena multidão que aguardava pelo momento alto da noite e instaurava-se uma certa desilusão a cada tema que tocava. É que o tipo de música apresentado não ia de encontro à disposição de quem esperava pela versão mais velha do artista.

MMV-2017-MIGUELARAUJO-2 (Cópia)

Miguel Araújo

Quem vê um concerto de Miguel Araújo, sabe com o que pode contar. A jogar em casa, o jovem saudosista dos velhos ícones da Cidade do Porto trouxe uma mala cheia de surpresas. Por entre os velhos temas de referência (e de sucesso) que compõem o seu portefólio musical, lá foi apresentando uma ou outra música do seu trabalho mais recente. “Axl Rose” é um dos temas que fez questão de nos mostrar, bem com projetar o videoclip que será lançado em breve. Para quem não conhece. "Axl Rose era um senhor magrinho que está dentro de um mais gordo que anda agora aí pelos palcos" disse, arrancando a maior gargalhada da noite. O palco revelava-se pequeno para a quantidade, e qualidade, de músicos que o acompanharam. Contudo, cantou "Anda Comigo Ver os Aviões" totalmente sozinho. Não sabemos se para mostrar ao artista anterior que sozinho também se pode dar espetáculo, mas o certo é que, sozinho ou acompanhado, o público estava do seu lado.

Para quem sabe da sua origem musical, a história já é repetida, mas para quem desconhece o seu passado fez questão de o apresentar. Nos anos 70, os tios tinham um grupo chamado Kappa e foi aí que nasceu todo o amor pela música. A declaração não surgiu à toa, mas sim como apresentação dos próximos convidados. Quando começaram a cantar "Like a Rolling Stone", tivemos a pura sensação de que era o próprio Bob Dylan que estava em cima do palco, tais eram as parecenças vocais. Seguiram-se outras músicas escritas sobre temas banais que, inclusivé, criticam a forma como as mulheres só dão valor aOs Maridos das Outras.

MMV-2017-STING-7 (Cópia)

Sting

Quem foi à Praia do Cabedelo, sabia bem o que queria ver. Já com notórias marcas do tempo, Gordon Matthew Thomas Sumner - Sting, para os amigos - reviveu grande parte daquelas que foram, são e serão as suas melhores músicas. Joe Sumner fazia a sua segunda atuação do dia, agora como membro do coro, mas estava provado que era o seu pai que tinha o protagonismo. Sting marcou uma geração (mesmo ainda enquanto líder dos Police) que fez questão de esgotar a lotação do recinto. Aliás, a qualidade de artistas como este são uma das razões pela qual o festival MEO Marés Vivas tenha de encontrar uma nova casa..

Voltando ao concerto, e sem ter tido um grande impacto enquanto espetáculo de entretenimento, pouco mais há a dizer. Todos os adjetivos que engrandeçam esta atuação ficam aquém da realidade. Foi sem dúvida uma excelente noite, memorável e provavelmente uma oportunidade única para ver este sir da música.

MMV-2017-SEUJORGE-4 (Cópia)

Seu Jorge

A noite estava ganha. Depois da atuação do cabeça de cartaz, apenas faltava conhecer a amiga da minha mulherSeu Jorge entrou muito bem e contou-nos até a história de uma burguesinha... Só que depois... abrandou. O público começou a dispersar e acabou mesmo por sair em grande número. O concerto de Seu Jorge correu dentro do normal esperado e não fosse o tardio da hora e o facto de ser domingo, talvez o público se tivesse mantido.

 

Em tom de resumo dos 3 dias de espetáculo, resta-nos dizer que saímos do Cabedelo com um balanço positivo. Pelo que tivemos oportunidade de constatar, e pela qualidade das bandas presentes, talvez se conseguisse fazer uma edição do MEO Marés Vivas inteiramente dedicada à música portuguesa. Alegra-nos perceber que existe muito boa música a ser feita dentro de portas.

Entretanto, e porque ainda não foi dada nenhuma confirmação oficial nesse sentido, temos a indicação que a edição de 2018 se realizará no fim de semana de dia 20. Ainda não se sabe se os dias serão "quinta, sexta e sábado" ou se "sexta, sábado e domingo".

Ainda assim, o fim de semana será esse... Quanto ao local, isso ainda está no segredo dos Deuses...

 

Reportagem: Ana Machado

Fotografias: Nuno Machado