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Glam Magazine

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MIMO Amarante traz enchente no primeiro dia

A 2ª edição do Festival MIMO arrancou ontem em Amarante. Pelo segundo ano, a região do tâmega-sousa foi escolhida por Lu Araújo para consolidar o Festival em Portugal. A música, mas também um sem número de actividades culturais, desde o cinema a workshops, tomam de assalto a cidade de Amarante até Domingo.

_PHM4479 (Cópia)

A música fez-se ouvir logo ao final da tarde na Igreja de São Gonçalo, onde o Quarteto Arabesco convidou o guitarrista português Pedro Jóia. Mas a inauguração oficial estava reservada para o museu Amadeo Souza-Cardoso, onde o concerto de Jards Macalé era um dos mais aguardados no primeiro dia.

O músico de 74 anos, originário do Bairro da Tijuca mostrou em palco ao longo de 11 canções porque é uma das referências da Música Brasileira.
Acompanhado em palco por jovens músicos, Jards desfilou um repertório assente na sua longa carreira musical, construído sempre contra quaisquer tendências ou ‘cenas’, assumindo uma consciência política e social afiada nas suas canções.

Desde a sua estreia em 1970, a sua música percorre alguns ritmos Brasileiros, desde o jazz, bossa nova, samba e blues, o mais notório na sua música. Abriu o concerto ao som de “Let’s play that” sempre acompanhado excepto quando apresenta “Vapor Barato” em que se torna senhor absoluto do palco.
Um inicio marcante para um festival que prima pela qualidade e escolha musical, longe dos paradigmas actuais.

_PHM4568 (Cópia)

Os regressados Três Tristes Tigres tiveram as honras de abertura do palco principal do Festival, o palco ribeirinho situado nas margens do tâmega. A banda formada em 1992 por Ana Deus, recupera as canções que marcaram o seu percurso ao longo da década de 90. Em palco, Ana Deus e Alexandre Soares revivem a formação original, faltando apenas, como Ana Deus referiu, a tigre Regina Guimarães, autora de algumas das canções mais emblemáticas do grupo.
Ao longo de 60 minutos a formação revisitou alguns dos temas que marcaram os 3 discos editados, “Partes Sensíveis”, “Guia Espiritual” e “Comum”.

_PHM4617 (Cópia)

A divulgação da world music é um das grandes apostas do festival. Os Tinariwen são a prova em palco dessa cada vez mais global world music. O colectivo formado em 1979, traz as raízes musicais do deserto do Sahara do norte do Mali como forma de expressão e divulgação da sua cultura.

A banda de Ibrahim Ag Alhabib é hoje uma referência mundial da promoção da música africana, com uma carreira de mais de 1000 concertos em todo o mundo. Com um disco novo na bagagem, “Eiwan” a banda conquistou com os seus ritmos quentes e étnicos, um público que procura sobretudo o que se distancia do comercial.

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A fechar a noite, uma das bandas mais esperadas neste primeiro dia. A rebeldia dos Nação Zumbi, banda formada pelo falecido Chico Science, trouxe o rock como manifesto político a Amarante.

Liderados por Jorge dü Peixe desde 1997, o rock como forma de arremesso politico tem sido uma constante ao longo dos quase 30 anos da Nação Zumbi, banda responsável igualmente pela dinamização do rock nos anos 90 no Brasil. A banda trouxe a palco essa rebeldia e contestação social, assente no disco de 2014.

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 Um fechar em grande no primeiro dia do Festival Mimo.

Reportagem: Sandra Pinho
Fotografias: Paulo Homem de Melo