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Glam Magazine

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O reencontro com o post-punk dos Motorama no Hard Club (Reportagem)

A banda russa Motorama atuou no Hard Club, no Porto, no dia 18 de março com a promessa de apresentar o seu mais recente álbum de originais. “Dialogues”, editado em outubro de 2016, compôs a maior parte do reportório que encheu a sala 2 do espaço portuense. A primeira parte ficou encarregue dos A Dead Forest Index.

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Os irmãos Adam e Sam Sherry levaram o seu rock alternativo pesado, lento e utopista ao público que aguardava os russos. Os neo-zelandeses apresentaram o seu álbum de estreia “In All That Drifts from Summit Down”. Por vezes, o desconhecimento vence ao silêncio, e os ansiosos por Motorama fizeram-se ouvir durante músicas que exigiam uma atenção silente. Os A Dead Forest Index mereciam um reparo necessário, mas aguentaram a duração do concerto com humildade e profissionalismo. Destaque para a faixa “Myth Retraced”, onde se ouviram mais as palmas congratulantes.

Depois da espera, os Motorama pisaram o palco. A faixa fresca “I see you” arrancou a cerca de hora e meia de espetáculo e quem se encontrava no concerto promovido pela Music Is My Oyster anunciou o entusiasmo e a aceitação notável nos corpos dançantes. A voz sombria de Vladislav Parshin e o instrumental acolhedor ecoou perante uma sala lotada. A peculiaridade deste grupo provindo de Rostov-on-Don advém dos riffs alegres e confortantes misturados com a assombrosa onda de post-punk que assola todas as suas músicas.

 

Desfilando perante os quatro álbuns, prestaram-se a serviço Vladislav Parshin (voz, guitarra e baixo), Maxim Polivanov (guitarra e baixo) e Oleg Chernov (bateria). A guitarra e o baixo iam viajando entre Vladislav e Maxim, numa dança comparável à mudança de faixas a serem tocadas. Os loops carregados do indie pop que preenche o novo “Dialogues” sentiam-se entre a fumaça sob luz azul de onde o vocalista se escondia por vezes.

 

A nostalgia no som destes russos assemelha-se uma altura que já lá vai e dificilmente se ouvem rastos desse fantasma temporal. A parecença involuntária com bandas lendárias como Joy Division e The Sound e a contemporâneas Beach Fossil e Wild Nothing fazem com que se acuse os Motorama de uma modernidade com sonoridade a anos 80. Talvez por essa razão, e mesmo com um público diverso na audiência, as faixas etárias entre os 40 e os 50 anos se destacavam.

Um dos pontos altos da noite deveu-se à prestação da música “To the South”, integrante do álbum Calendar (2012). Os presentes acompanharam uma das letras mais reconhecíveis e vibraram com um solo espacialmente orquestrado para as atuações ao vivo. Não faltaram faixas mais conhecidas, como “Wind in her hair” e “Alps”, do álbum Alps (2010), e “Heavy Wave” e “Corona”, de Poverty (2015).

Os Motorama satisfizeram o público português que ansiava o retorno deste grupo desde que este fizeram parte do certame do Festival Vodafone Paredes de Coura do ano transato. O grupo já havia passado por Lisboa, Porto e Braga em 2013 e fez parte do cartaz do Festival Entremuralhas, em Leiria, em 2015.

Quem se deslocou para ouvir o post-punk com pitadas de indie rock ficou saciado, porém sempre com espaço para mais. As pessoas recusavam-se a abandonar o recinto, sempre com vontade de continuaram a conversa musical com o trio, que conseguem falar com público português da melhor forma que sabem: através da sua música.

 

Reportagem: Catarina Nascimento