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Glam Magazine

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“Pântano”… a dança de Miguel Moreira (Companhia Útero)

As pessoas desta peça poderiam falar mas dançam. No entanto, olham umas para as outras. Por vezes tocam-se e emitem sons guturais como as tartarugas quando fazem amor. Podia ser uma história, mas não é. São ambientes, paisagens de um mundo que já existiu.

PantanoHD-3_1_770_9999.jpgFicaram bocados soltos, descosidos como fantasmas que já não fazem estremecer alguém. Quando aparecem aos outros são figuras como em tempos houve os santos, o céu. Não sabem das emoções. Perderam-nas. Não as identificam por isso esfregam as mãos e sentem o calor das mesmas, as mãos esfregam-se e esfregam os olhos que quase sempre estão fechados Este lugar belo, perdido, chama-se “Pântano”. Esta beleza não nos diz nada, porque já não sabemos o que isso seja. Só o espectador a verá. Gostava de ser alguma coisa. Este lugar. As cores rosa, amarelo, tu. Quando abrimos os olhos ficamos encadeados, fora de nós, saímos do corpo. No lugar mágico cheira-se o tempo, vê-se. Ele é o movimento do corpo. É a bruma. Há um palhaço louco que espera por si próprio. Há uma mulher magra que finge a dança que foi clássica, lugar. Há o homem nu perdido. Eles dançam, perdem-se, esperam. Não sabem o porquê de estar ali. Nem nós que os observamos descrentes neste mundo jamais novo e azul.

 

CC Gafanha da Nazaré

20 de Novembro 2015 | 22.00h