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Glam Magazine

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Songs from Broken Heart… Ute Lemper na Casa da Música

Existe um universo longínquo onde a música trespassa a realidade.

Ute Lemper está nesse universo paralelo, que viaja ao ritmo de canções que surgem da mente de Nick Cave ou Tom Waits e que retrocede até aos anos 40 do século XX, com as reminiscências de Kurt Weill. As prosas e palavras de Paulo Coelho encontram um porto no mediterrâneo que surge num elo de ligação com a realidade existencial que se vive na sala, abraçada pela luz ténue que insiste em rodar para desagrado de Lemper.

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A memória aviva-se com o repertório da música francesa, com a poesia única de Jacques Brel, que permite envolver a sala sob o timbre forte e austero de Ute. Uma agressividade melancólica entre extremos de compaixão e desesperos de alma.

A melancolia leva-a a um retrocesso temporal até aos cabarés de Paris nos anos 30, amenizando-se com o romantismo de Lili Marleen.

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Percorrendo as arriscadas ruas de Berlin, onde travestis arriscavam em plena guerra a sua integridade, ao som da pianola, o passar do tempo traz o universo de Léo Ferre, que desaparece nos anos 90 como o amor que desaparece nas brumas do dia anterior.

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Atravessa o oceano e embrenha-se com Charles Bukowski... Rude, “Nasty” e até obsceno, mas com um lugar no coração que espera ser preenchido antes que seja (demasiado) tarde. O regresso ao velho/novo mundo ressurge com referências a Kurt Weill com “Mack the Knife”, numa janela temporal com uma Berlin decadente dos anos 30, ao som de “All that jazz”.

Apaixonada pela poesia Francesa, fechava a noite com as memórias de Édith Piaf.

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Ute Lemper em palco é um mistério, uma descoberta, o regresso de uma solitude única que viaja mas regressa sempre ao local de destino. Ute dá corpo à música, envolve-se numa panóplia de idiomas e culturas, confronta o público, revolta-se, agride com determinação mas com paixão, e sempre com um “Broken Heart”

 

Reportagem: Sandra Pinho

Fotografias: Paulo Homem de Melo