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Glam Magazine

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“Sonoridades Emergentes” na Vila das Aves

De Fevereiro a Maio os novos valores da música nacional invadem Vila das Aves, numa etapa de 4 espectáculos denominada “Sonoridades Emergentes”. Tó Trips & João Doce, Norberto Lobo, Sequin e A Jigsaw & The Great Moonshiners Band são os nomes do cartaz deste evento, que pretende alargar a área de influência do Centro Cultural Municipal de Vila das Aves.

1bigo.jpgTó Trips e João Doce editam em Abril “Sumba”. No espectáculo de abertura do “Sonoridades Emergentes”, prometem desvendar um pouco deste novo trabalho discográfico, para além dos temas de “Guitarra Makaka”.

 

Tó Trips… Co-fundador de marcos da recente música nacional, como é o caso dos Lulu Blind ou Dead Combo, e membro da fase final dos Santa Maria Gasolina em Teu Ventre, Tó Trips lançou em 2009 o seu primeiro álbum a solo, “Guitarra 66”, pela Mbari, efusivamente recebido pela crítica. Lindo registo de música crua, aberta, generosa, de espírito nomádico, encaixa as pistas e materializações que Trips dava já nos Dead Combo. O meta-fado de Paredes, a música de fantasminhas da boémia lisboeta, a tradição cubana como vista por Marc Ribot, o lado mais lírico do western spaghetti de Ennio Morricone ou o encontro ibero-árabe do flamenco, deixando-nos com uma linguagem que entretece todos estes vocabulários e o torna uma língua sua, real como só os verdadeiramente bons e honestos o conseguem ser.

Guitarrista do melancólico e do luminoso, transforma em som um homem que é profundamente português, fascinado pelas viagens - reais, internas, imaginárias e impossíveis. Regressou em 2015 com o novo disco “Guitarra Makaka – Danças a um Deus Desconhecido”. E mais uma vez não se deixa Tó prender a fórmulas, não obstante possuir, à guitarra, um estilo particularmente distinto. Isto é, o aparecimento de um novo disco a solo seu deve-se, antes de mais, à necessidade de documentar o desenvolvimento e exploração de uma nova linguagem. Mais concretamente à Guitarra Resonator, com os seus cones metálicos a ampliar de modo natural o som e raízes associadas a ícones como Tampa Red ou Bukka White. Não que Tó finja aqui ser quem não é ‐ aliás, mais longe do blues do delta do Mississippi não podia estar. Afinal, o seu interesse na tradição será apenas por aquilo que – na acepção real do termo – ela possui de mais primitivo. Isto é, o seu projecto é efectivamente o da prossecução daquilo que, em rigor, nas cordas de aço, nunca existiu em lugar nenhum. Daí que se socorra da alegoria da “ilha imaginária”, embora trabalhe igualmente no sentido de evocar memórias específicas. No fundo, mais não se fala do que de uma música que soube fazer do isolamento uma fortaleza e da independência o melhor que tem a dar de si.

Ao vivo, na senda de levar o “Guitarra Makaka” pelo país fora, Tó convidou e construiu um espectáculo cúmplice e entusiasmante com o percussionista João Doce, reputado músico angolano residente em Esmoriz, Ovar, sobejamente (re)conhecido como membro dos WrayGunn e colaborador de The Legendary Tigerman.

Esta é uma iniciativa do Município de Santo Tirso, com Direcção Artística e Produção da 1bigo – artistas e eventos.

 

Programa:

27 Fevereiro – Tó Trips & João Doce

19 Março – Norberto Lobo

16 Abril – Sequin

14 Maio – A Jigsaw & The Great Moonshiners Band