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Glam Magazine

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Sucesso de Eugénia Melo e Castro no Brasil com “SereiA Portuguesa”

Eugénia Melo e Castro tem uma relação especial com a música brasileira. Parceira de grandes nomes, como Tom Jobim, Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque, Adriana Calcanhoto, entre outros, a artista portuguesa viaja há 35 anos entre Brasil e Portugal, sempre cantando e gravando. Seu novo show, SereiA Portuguesa”, é inteiro dedicado à música do seu país. Mas, com letra inspirada na sua própria vida, canta pela primeira vez a inédita DEIXAEUENTRARNOSAMBAÍ, um samba enredo composto em parceria com o compositor Alemão do Cavaco da Mangueira, do Rio de Janeiro.

002.jpg"Eu queria mesmo fazer um samba enredo e a letra veio pronta na minha cabeça há pelo menos uns oito anos. E ficou ali na gaveta, esperando um momento certo para ser musicada. Mas, não poderia ser musicada por um compositor normal, teria de ter a linguagem musical de samba enredo, que é muito particular, tem regras próprias. Em DEIXAEUENTRARNOSAMBAÍ, o fado pede passagem, na mais alta linhagem, para entrar no samba", diz.

A escolha pela Mangueira no samba enredo não foi à toa. "É a minha Escola no Brasil, dos meus amigos desde o primeiro dia em que vim ao Brasil. Além disso, era a de Escola de Samba do Tom Jobim, que até escreveu a música Piano na Mangueira; e até já desfilei na Mangueira, e sempre torci pela Escola. São muitos anos de Mangueira no coração!", conta. E através do amigo comum e ator Ailton Graça fiz chegar a letra ao Alemão do Cavaco da Mangueira, que me devolveu esta maravilha.

003.jpgAlém deste samba enredo, “SereiA Portuguesa” tem uma pitada de Brasil. A música “Meia noite”, que abre o espetáculo, é de Chico Buarque e Edu Lobo. "A letra é o resumo de tudo o que eu quero dizer no show. É uma música que tenho sempre comigo, traduz o que eu sinto, é uma obra prima de poesia", comenta. “Escolhi-a e cantei-a na abertura programa de televisão Atlântico, que idealizei e produzi para a RTP em 1998, e transmitido no Brasil pela TV Cultura em 2000, em que reuni 13 artistas brasileiros e 13 artistas portugueses para conversar sobre música, tocar e cantar. Já era a busca das afinidades em grande andamento", recorda.

 

Ao longo dos 35 anos de carreira, com 26 discos já lançados no Brasil e em Portugal, Eugénia Melo e Castro sempre usou os dois universos musicais e poéticos para suas interpretações pessoais e recriações. Em “SereiA Portuguesa”, apresenta 20 canções escolhidas a dedo para um repertório de memórias. "Umas são do gosto e do ouvido popular, como o Fado da Açorda, ‘Não vás ao Mar Tóino’, ‘O mar enrola na areia’, coisas da infância de todos nós. As demais são fados e canções tradicionais portugueses que escolhi por estarem no imaginário afetivo dos brasileiros e dos portugueses que moram há muito tempo no Brasil. São canções da época em que a música portuguesa vinha muito ao Brasil pa ssar grandes temporadas, Amália Rodrigues, Francisco Jose, Esther de Abreu, nos anos 50 e 60, e com muito sucesso popular no Brasil".

 

Entre as canções tradicionais, estão “Foi Deus”, “Gaivota”, “Olhos castanhos”, “Perseguição”, “Nem às paredes confesso”, “Casa Portuguesa”. Também mostra um fado da nova geração, “Desfado”, entre outras canções. "É um fado extraordinário, uma letra absolutamente genial, feito por um novo e sensacional compositor em Portugal, que é o Pedro da Silva Martins, e gravado pela fadista Ana Moura, que é uma das grandes novas cantoras de Portugal. Gosto da criatividade e da novidade, que exercita a originalidade. “Estranha forma de Vida” foi escolhida também para poder dizer que Amália Rodrigues escreveu este poema, também era compositora.. “E Lisboa não sejas Francesa” é para brincar com a história dos ciúmes nacionais dos seus artistas, um clássico da personalidade possessiva latina. A letra é um tratado!".

000.jpg“SereiA Portuguesa” não é só um espetáculo de canções, mas também de histórias sobre a cultura de Portugal e lembranças pessoais de histórias vividas com grandes nomes da música brasileira. "Contar algumas coisas pessoais e específicas sobre Portugal, o meu Portugal, e avivar a memórias das pessoas que gostam do meu país, é importante, é interessante. Eu gosto de contar histórias sobre tudo o que é bom em Portugal. Sempre falei muito mais de Portugal nas minhas entrevistas, do que do meu trabalho específico! Tom Jobim, Caetano Veloso, Ney Matogross o, Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi, e Helena Jobim são os seis nomes de artistas brasileiros que eu cito no show por terem referencias com as músicas que canto neste show, algumas vividas comigo, outras que ouvi dentro do lema 'reza a lenda'. Mas nos shows é sempre imprevisível. Eu poderia ficar 3 horas só contando histórias divertidas e verdadeiras que eu vivi, outras que quase só eu sei, em vez de fazer um show de música... Quase sempre, de uma apresentação para outra, eu me lembro de uma história nova, ao vivo, e conto, conto na hora o que me lembrar. Isso é o que mais me diverte. Também relembro alguns nomes de portugueses que se destacaram de verdade no Brasil no século XX, uma espécie de homenagem".

 

O espetaculo de Eugénia Melo e Castro “SereiA Portuguesa” acontece até ao dia 26 de Novembro no Teatro MuBE Nova Cultural em São Paulo, Brasil. O espetaculo tem direção musical de Swami Jr., que também assume os violões e conta com Olivinho no acordeom e direção cênica assinada pelo diretor Fernando Cardoso.

 

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Texto: Marina Telecki

Fotografias: Mila Maluhy