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Glam Magazine

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Super Bock Super Rock… Terceiro dia… “The Funk Soul Brother”…

E ao terceiro dia o Rock fazia-se anunciar a alto e bom Som. A banda de Chico Moreno antevia mais um dia de rock nesta 23ª edição do Super Bock Super Rock. Mas o percurso durante o dia seria sinuoso com variações musicais abrangentes e diversas. Se o space jazz de Pernadas abria o dia, a old school de Norman Cook encerrava o palco principal do Festival.

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Bruno Pernadas regressava ao palco do festival,desta vez a liderar o seu próprio projecto, Bruno Pernadas tomou de assalto o palco EDP numa tarde quente, mas com um início morno em termos de público. “Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them” era o desafio lançado por Pernadas, disco de 2016 onde a mescla de sonoridades não deixa ninguém indiferente. Foi ao som de “Spaceway 70” que o combo de 9 elementos em palco iniciou, com ligeiro atraso, o concerto no último dia do festival. Em palco, o sincronismo entre os elementos é irrepreensível bem como a qualidade da música produzida. As vozes alternando entre Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout) e Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown) criaram ao longo de 45 minutos uma viagem cósmica por sons que misturam, segundo o próprio Bruno, o rock, o jazz, o funky, o krautrock entre outros. Se as canções do novo álbum estiveram em destaque, o primeiro álbum do músico, “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge” não foram esquecidas com o já memorável “Ahhhhh” a conquistar os primeiros festivaleiros que se aproximavam do palco.

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Lúcio Silva de Souza, ou simplesmente Silva, era o segundo convidado do palco EDP. Canções simples do álbum “Júpiter” e “Vista pró mar” marcaram o final de tarde que se preenchia à medida que as sonoridades folk tropicais ecoavam debaixo da pala do pavilhão de Portugal. De fora ficaram as canções de “Silva Canta Marisa” para tristeza de muitos. A simplicidade foi a chave do sucesso do concerto de Silva.

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No palco LG, com o rock a assinar o terceiro dia, os Stone Dead faziam as honras de abertura. A banda de Alcobaça trazia “Good boys” o disco de estreia lançado já em 2017 pela Lovers & Lollypops. Bruno Monteiro, João Branco, Jonas Gonçalves e Leonardo Batista reavivaram o rock em português perante um público hávido desse estilo musical, muitos a aquecer para o concerto dos Deftones. Temas como “Candy” e “Floating” libertaram a energia necessária para que o rock se afirmasse como o porta estandarte de um dia repleto de energia.

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De regresso ao palco EDP, a simplicidade em palco dos Taxiwars, o combo que junta Tom Barman, o homem dos belgas dEUS e Robin Verheyen. Uma mistura de jazz, spoken word e rap, marcaram a apresentação do projecto através das canções dos discos “Fever” de 2016. O percurso do final da tarde segue a linha iniciada por Pernadas onde a diversidade musical em palco conquistava uma cada vez maior audiência, ou se não estivéssemos em presença de Tom Barman.

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As portas do MEO Arena abriam para receber os norte-americanos Foster The People. Mais um nome que chegava da Califórnia para conquistar o palco Super Bock, antes do nome grande da noite tomar de assalto o palco. A irreverência de Mark Foster ao longo do concerto foi uma constante. Canções certeiras, orbitando no universo da indie pop britânica, embora faltando aquele ‘accent’, cumpriram na perfeição a apresentação das canções mais relevantes dos seus dois únicos discos, “Supermodel” de 2014 e “Torches” de 2011, não ficando de lado os sucessos “Don't Stop (Color on the Walls)”, “Coming Of Age” ou “SHC” (tema que abriu o concerto), recebidos com entusiasmo. Sendo um dos destaques do último dia do festival, Foster The People terminou com praticamente casa cheia ao som de “Loyal Like Syd & Nancy”.

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James Vincent McMorrow fazia as honras no palco EDP. Folk tradicional de um homem tímido que chegava da Irlanda para apresentar o seu mais recente disco, “True Care”. Sem grande produção, James Vincent apresentou a sua música de uma forma simples e direta e por vezes de uma forma bastante indiferente. Longe de encontrar uma plateia composta, pois nessa altura todos os caminhos apontavam o MEO Arena como ‘alvo’, James Vincent McMorrow trouxe acima de tudo canções honestas e envolventes.

 

Praticamente contemporâneos dos seus vizinhos Red Hot Chili Peppers, a banda de Sacramento procedia às primeiras descargas de energia no Palco Super Bock. Formados em 1988 e liderados pelo carismático Chico Moreno, o rock apelativo e estruturado dos Deftones libertava a energia contida no público desde o final do primeiro dia. Longe de registar a afluência do concerto dos Red Hot, o concerto dos Deftones separou o público entre aqueles que estavam ali para ouvir a banda, e os que estavam à procura de sonoridades mais ecléticas.

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E é nessa procura eclética que junto dopalco EDP, se juntava uma parte dos festivaleiros que proliferavam no último dia do Festival. Seu Jorge surge em palco com a promessa de homenagear David Bowie. Sentado, relaxado, o carioca Jorge Mário da Silva, conhecido por Seu Jorge, apresentou as suas versões das 12 canções de Bowie incluídas na banda sonora do filme “The Life Aquatic”. Sentado, de violão na mão, Seu Jorge abriu o jogo, contando a aventura que o levou em 2005 a gravar as canções do até então desconhecido (para ele) David Bowie. Desta vez não houve canções para churrasco mas sim canções de Bowie como “Starman”, “Ziggy Stardust” e “Changes” entre muitas outras sempre na língua de Camões.

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O ambiente era o ideal… A arena cheia para receber o Senhor Norman Quentin Cook, homem de sete ofícios, que em Fatboy Slim descarrega as suas energias e contagia plateias imensas desde meados dos anos 90 com a sua vontade de viver e acima de tudo de se divertir e divertir o seu público. Uma carreira que pode ser definida como “You've Come A Long Way, Baby” mas que “Halfway Between The Gutter And The Stars” encontra pelo caminho “The Rockafeller Skank” sempre “Right Here, Right Now”.
Samplers de clássicos desde os Ramones, passando por “Radio Gaga” dos Queen, revisitando pelo meio James Brown, a energia contagiante de quem sabe colocar cerca de 15.000 pessoas a dançar, foi sempre acompanhada por vídeos que complementavam o ambiente de festa vivido. Aos 54 anos de idade Cook mostrou que o divertimento em palco é a chave para um vivência tipo “That Old Pair Of Jeans”.
Não estávamos em Brighton, mas ao longo de 90 minutos Brighton veio até Lisboa…

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Ao longo dos 3 dias do festival a afluência rondou os 58.000 festivaleiros (dados da promotora Música no Coração). Uma edição marcada por dois regressos a Portugal, no dia 13 dos Red Hot Chili Peppers e no dia 15 dos Deftones. Pelo meio o hip-hop dominou, bem como algumas novas propostas musicais mais abrangentes. A música Portuguesa mais uma vez esteve representada em proporções idênticas à que chegava de fora. Estreia ao vivo dos projectos Alexander Search e de Língua Franca, bem como a apresentação em estreia exclusiva do álbum “Misfit” de The Legendary Tigerman.

Em 2018 o festival regressa ao parque das nações entre os dias 19 e 21 de Julho e já com uma confirmação… Slow J.

 

(Deftones não autorizaram a captação de Fotografias do concerto)

 

Reportagem: Sandra Pinho

Fotografias: Paulo Homem de Melo