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Glam Magazine

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Vagos Metal Fest 2017… Segundo dia…

Embora em números a afluência no segundo dia tenha sido sensivelmente a mesma que no dia anterior, não se fez sentir logo às quatro da tarde, quando os Implore subiram ao palco.

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Ainda assim, tiveram um público compacto e entusiástico o suficiente para receber o grind-death-crust da banda liderada por Gabbo Dubko. O segundo álbum, “Subjugate”, será publicado a 22 de Setembro mas pudemos já ouvir “Loathe”, entre temas mais populares como “Sentenced” e “Disgrace”.

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Os Brutality Will Prevail fizeram jus ao seu nome e deram razão ao vocalista Louis Gauthier quando disse que se não os conhecíamos antes, agora conhecíamos de certeza: o quinteto britânico de hardcore levou Vagos ao rubro tanto com temas do álbum que estão actualmente a promover, “In Dark Places”, como o que já pode ser considerado clássicos, como “Trapped Doors Moving Walls”. Foi com este que encerraram o seu concerto e onde Louis mergulhou no público para participar no crowdsurf.

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Não menos intensa foi a prestação dos sadinos Hills Have Eyes. Ainda há algumas reservas por parte dos “metaleiros mais tradicionais” relativamente ao metalcore e o vocalista Fábio Batista contou que lhes tinham dito que “a malta não ia curti-los”. Ele não quis acreditar e teve razão, uma vez que a resposta do público esteve à altura da entrega da banda - principalmente a partir do momento em que tocaram “The Bringer Of Rain”. Foi ainda a primeira vez que tocaram o novo single “Never Quit” ao vivo e o impacto foi mais do que satisfatório.

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E já que usámos o termo “metaleiros mais tradicionais”, foram eles em especial que tiraram mais proveito do concerto seguinte - Metal Church. A banda mais veterana desta edição do Vagos Metal Fest ilustrou a expressão “velhos são os trapos”, com Mike Howe a percorrer o palco como um adolescente enquanto “Gods Of Second Chance”, “Badlands” ou “Beyond The Black” jorravam dos amplificadores com a mesma garra.

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Há bandas cuja natureza mais sombria não se enquadra em festivais ao ar livre, principalmente se tocarem durante o dia, mas a excelência dos Primordial é sentida em qualquer ambiente. Muito queridos do público português e das bandas mais aguardadas deste festival, independentemente do número de vezes que nos visitam, com ou sem novo material para apresentar. Desde “As Rome Burns” a “Wield Lightning To Split The Sun”, passando pela obrigatória “The Coffin Ships”, os irlandeses deram um excelente espectáculo, cheio de emoções. Ao anunciar o final, “Empire Falls”, A.A. Nemtheanga agradeceu termos partilhado aquele lindo pôr-do-sol com eles.

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Da herança celta seguimos para a sámi, com o arraial típico dos Korpiklaani. Mesmo os temas cantados em finlandês eram alegremente acompanhados pelo público, vocal e coreograficamente. Uma roda viva literal que culminou com as famosas “Beer Beer” e “Vodka”.

Mas comparado com o que veio a seguir, essas rodas eram brincadeiras para crianças; os níveis de adrenalina subiram vários gramas e o seu efeito foi bem mais violento, ainda que maioritariamente não-agressivo. Claro que há sempre um ou outro que leva demasiado a sério o “vamos quebrar essa porra” de Max Cavalera, mas não houve registo de danos extraordinários durante o concerto de Soulfly - apenas personificações de “We Sold Our Souls To Metal”, que a banda brasileiro-americana tocou logo no início. “Umbabarauma” de Jorge Ben Jor foi apresentada como uma música que fazia parte da história dos Soulfly, e logo de seguida, com a mesma justificação, “Refuse/Resist” dos Sepultura. Para o baterista Zyon Cavalera esta terá um significado ainda mais especial, já que é o bater do seu coração, gravado ainda no útero da mãe, que é ouvido na gravação original.

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Na primeira vez que os Powerwolf tocaram em Portugal (2005, como banda de abertura de Gamma Ray), pouca gente ou nenhuma os conhecia. Muito mudou nestes últimos doze anos mas mesmo aqueles que acabavam de conhecer Attila Dorn & C.ª não resistiram a participar nos cânticos de “Armata Strigoi” e “Werewolves Of Armenia”. Um bom entertenimento tanto a nível de som como de imagem.

Quando os Powerwolf deixaram o palco após “We Drink Your Blood”, o público dividiu-se, progressivamente, em quatro: os que foram logo embora, os que tencionavam ficar mas acabaram por desistir ao fim de meia hora de atraso, os que foram embora quando perceberam que Batushka não era a sua praia e os fãs do black metal litúrgico que não arredaram pé até soar o último acorde de “Yekteniya VIII: Spaseniye”. A banda polaca, cuja identidade dos membros é ocultada sob trajes sacerdotais, tocou na íntegra o seu álbum de estreia “Litourgiya” e para quem aprecia o género, o segundo dia do festival não podia ter terminado de melhor forma.

 

Reportagem e Fotografias: Renata Lino