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Glam Magazine

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XV Edição Jazz ao Centro… Encontros internacionais de Jazz de Coimbra

Com o desígnio de “um festival para uma região”, a 15ª edição dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra abraçam um território alargado, abrangendo 5 municípios: Coimbra, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Penela e Vila Nova de Poiares.  O Jazz ao Centro Clube e os municípios parceiros na organização do festival assumem a necessidade de um trabalho em rede, afirmando a importância e capacidade de executar projectos sem fronteiras concelhias, destacando a arte e a cultura enquanto espaços de consolidação e afirmação do intermunicipalismo. O festival tem lugar em 3 semanas consecutivas, de 13 a 28 de Outubro, com mais de 20 iniciativas, entre concertos, workshops, uma exposição e uma masterclass, dirigidas a jovens estudantes de música e não só, famílias e ao público em geral.

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No cartaz, mais de 50 artistas provenientes de países como os Estados Unidos da América, o Brasil, a Alemanha, a Suíça, a Suécia e a França, além de um número significativo de músicos portugueses, incluindo jovens estudantes de música. Comum a todas as propostas musicais do Festival Jazz ao Centro é a ideia de que a riqueza deste género musical reside na sua espantosa diversidade. Nestes Encontros Internacionais de Jazz é possível confirmar que esta música está viva (e bem viva) e que continua a ser capaz de surpreender. A partir deste programa é possível mapear territórios híbridos forjados a partir dos diálogos com o hip hop, a música eletrónica, a música africana e a dimensão exploratória característica do Jazz desde o seu início

 

Ambiq ou Nils Berg Cinemascope (21 de Outubro, Convento São Francisco) são uma das propostas desconcertantes deste festival, que merecem ser referidas. Se os primeiros trazem um jazz electrónico que navega em territórios ainda por cartografar, cujas derivas atravessam tanto o techno experimental como o jazz criativo, os segundos oferecem um jazz intermediático inovador, decorrente da pesquisa de talentos anónimos em todo o mundo baseada nas ferramentas do ciberespaço. O jazz enquanto música universal mas diferenciadora dos lugares em que se pratica é a marca da releitura singular e atrevida do património musical do Brasil que os Quartabê reivindicam, um quarteto em que 3 elementos são mulheres, desafiando os preconceitos anti-LGBTQ.

 

Ainda do Brasil, chega o projecto que resulta do encontro entre um rapper, Marcelo D2 (26 Outubro, Convento São Francisco), que na sua música foi sempre espalhando o samba-jazz e de um grupo, SambaDrive, que, precisamente, pratica este estilo

 

Nomes consagrados que vão do trio Azul de Carlos Bica (21 Outubro, Convento São Francisco), virtuosos embaixadores do jazz que atravessam gerações de ouvintes sem nunca fazerem concessões para nos cativar e conduzir numa experiência auditiva exigente e curiosa, a Peter Evans (28 Outubro, Conservatório de Música de Coimbra), um dos mais completos e audazes trompetistas da actualidade que regressa aos Encontros Internacionais de Coimbra (onde já esteve, a solo) acompanhado pelo seu Ensemble, o qual integra alguns nomes-chave da actualidade como Sam Pluta, Tom Blancarte ou Jim Black.

 

A estes nomes internacionalmente (re)conhecidos juntam-se ainda alguns nomes dos mais altos expoentes de uma nova geração de músicos portugueses que têm no jazz o seu ponto de partida para abordagens musicais feita de influências e cruzamentos surpreendentes: Sei Miguel Quarteto, PeterGabriel, Alforjs, Fail Better! (27 Outubro, Baixa de Coimbra, vários locais), o trio do português João Camões com os franceses Gabriel Lemaire e Yves Arques (21 Outubro, Convento São Francisco) e, para encerrar o festival com a qualidade habitual, Norberto Lobo com o grupo que o tem vindo a acompanhar na residência artística que há uns meses mantém na ZDB, em Lisboa: Yaw Tembe, Ricardo Jacinto e Marco Franco.