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Glam Magazine

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Yeah de Natal….

2015, o primeiro ano de actividade da YAYAYEAH, marcado pelo lançamento do álbum de estreia dos portuenses ASTRODOME numa edição limitada de 100 K7s, o Warm-Up do Festival Milhões de Festa em Alcobaça ou pelos vários concertos realizados, desde o neo-psych-rock dos MAGIC CASTLES de Minneapolis, passando pela dark-wave de ELA ORLEANS, o rock matemático dos franceses PNEU ou mais recentemente a pop cativante de CHAD VALLEY, entre vários outros.

yImage1.jpgA 18 e 19 de Dezembro, o último “yeah” antes da época festiva e também o primeiro da mesma, que pode bem passar a ser tradição anual ou mesmo nem voltar a acontecer. No Bar Alfa em Leiria, com quatro das bandas que mais mereceram destaque ao longo deste ano… Pista, Cave Story, 10000 Russos e Youthless.

GLAM - Cave Story.jpg(c) 2015 Paulo Homem de Melo

 

Os Cave Story são uma banda nascida nas Caldas da Rainha, terra mitológica onde acontece tudo e nada ao mesmo tempo. Formados em 2013, lançaram um conjunto de demos que chamou a atenção de vários promotores e festivais nacionais e internacionais como a FatCat Records e o Reverence Valada. Em 2014, editaram o single “Richman”, um tributo apaixonado a Jonathan Richman e uma versão do tema “Helicopter Spies” dos Swell Maps, que o próprio Jowe Head (Swell Maps, Television Personalities) questionou se não seria um bootleg esquecido no qual ele estaria a tocar. E, ainda no final de 2014, colocaram o seu primeiro EP “Spider Tracks” em pré-venda online sendo que irá chegar às lojas no próximo dia 2 de Fevereiro. “Spider Tracks” é um conjunto de faixas gravadas em momentos diferentes ao longo de um ano que, em comum, têm apenas o facto de terem reunido na mesma sala as mesmas pessoas.

Em pouco mais de 20 minutos, os Cave Story apresentam um registo carinhoso e demente, apaixonado e paciente, no limite da coerência que estes termos permitem. Nele encontramos uma identidade mais cerrada e uma confiança em explorar sonoridades e uma escrita que ainda não nos tinham mostrado. Há vestígios do post punk dos The Fall, The Feelies, Swell Maps, mas também psicadelismo. Não ácido, mas daquele que é sobre repetição. Há jogos de violinos que dificilmente não farão lembrar os Velvet Underground ou as Raincoats e uma ternura sufocante que muito deve aos Pavement em “Fantasy Football”. Com “Hair” e o pequeno poslúdio que lhe segue, “Guess We Could Feel Better About Worse”, encontramos um último contra-ponto, que se traduz nestas palavras: dizem-nos que adoravam tocar no nosso cabelo, e conciliam-se com a ideia de que podiam sentir-se bem melhor com coisas bem piores. Os Cave Story são Gonçalo Formiga, Pedro Zina e Ricardo Mendes

 

GLAM - 10 000 Russos.jpg(c) 2015 Paulo Homem de Melo

 

10 000 Russos são a banda mais fresca sob o radar sem limites da Fuzz Club Records cujo álbum foi lançado em Maio deste ano com a premissa de serem ainda a primeira banda ibérica com selo da editora londrina. O LP auto-intitulado de seis faixas e 43 minutos de duração foi inteiramente escrito e gravado dentro de um centro comercial abandonado da década de 80, o STOP, onde as escadas rolantes estão desactivadas há quinze anos e a única fonte de luz são alguns objectos de design sueco e lâmpadas do chinês. É uma viagem psicadélica através de paisagens periféricas, com chave na desconstrução e repetição. As cores são escuras e de sombreado de luzes néon. Nenhuma das pistas acima será uma surpresa, se olharmos para onde vêm os 10 000 Russos, tanto geograficamente como artisticamente.

João Pimenta (bateria / vocais), Pedro Pestana (guitarra) e André Couto (baixo), surgem a partir do que eles chamam de "uma cidade escura e decadente de um país periférico num continente da periferia": Porto, Portugal. Formados em 2012 e logo com um EP de quatro faixas a provocar alguma agitação nacional, tropeçam ainda na comunidade internacional psicadélica, partilhando palcos com A Place To Bury Strangers ou Wooden Shjips e marcando presença em festivais como Copenhagen Psych Fest, Reverence Valada ou Fuzz Club Fest.

 

A história dos Youthless, formados pelo londrino Sebastiano Ferranti e pelo nova-iorquino Alex Klimovitsky tem tanto de surpreendente como de inspirador. De forma a perceber melhor o percurso da banda, em 2011 os Youthless gravaram em Londres “Telemachy” com produção de Rory Attwell (Palma Violets, The Vaccines), abriram para bandas como The Horrors ou Crystal Castle, viram as suas músicas serem remisturadas por Olugbenga (Metronomy), foram elogiados pela BBC1, NME, Drowned in Sound, ou pelo Irish Times e atraíram o amor de artistas como os Metronomy, Tiga e D/R/U/G/S. Quando estavam prestes a ir para o Festival Eurosonic, ficam em suspenso devido a uma grave lesão nas costas de Alex que acabou por resultar numa cirurgia e em vários anos de reabilitação. Abraçaram outros projectos de música, cinema e teatro experimental nos anos seguintes, apesar de Youthless nunca ter desaparecido dos seus planos, o projecto permanecia num hiato. Ou pelo menos permanecia até ao verão passado, quando o duo voltou ao activo revigorado e inspirado com um novo conceito.

Recentemente o blog de música inglês The Line of Best Fit estreou a nível internacional a música “Attention”, a segunda dada a conhecer do primeiro longa duração dos Youthless, “This Glorious No Age”, este a ser editado no início de 2016, em Portugal pela NOS Discos e em Inglaterra pela Club.The.Mammoth/ Kartel Music Group. O novo disco é um álbum conceptual, característica da identidade da banda presente em todos os trabalhos discográficos e foi misturado por Justin Garrish (Vampire Weekend, The Strokes, Weezer) e gravado por Chris Common, Pedro Cruz e a própria banda em vários estúdios caseiros e sótãos entre Lisboa, Sintra e Cascais. Conta com a participação de Francisco Ferreira (Capitão Fausto), Chris Common (These Arms are Snakes, Le Butcherettes), entre outros. Os Youthless, acompanhados por Francisco Ferreira nos teclados, irão apresentar algumas das novas músicas de "This Glorious No Age" tal como fizeram recentemente ao terem actuado ao lado de Unknown Mortal Orchestra em Lisboa e Porto e no concerto de abertura da banda australiana Sticky Fingers no The Forum em Londres.

 

Pista… Há quem os rotule como pedalcore, bike rock ou afro punk, mas com a chegada de um terceiro membro, Ernesto Silva, o pelotão ficou diferente. A paixão pelas bicicletas continua, mas a pedalada agora é outra – o caos de Pista foi reforçado por uma nova guitarra, continuando bem-disposto. Depois de ampliarem a sua magia por palcos como Barreiro Rocks, Nos em De’bandada ou NOS Alive, lançaram no passado mês de Novembro o seu primeiro longa-duração, “Bamboleio”, que surge dois anos depois de “Puxa”, single do EP de estreia, “Pista”, e que fez mexer qualquer pessoa que o tenha ouvido mesmo que com o mais pequeno toque de anca. Este tema surge aliás no novo registo de originais mas mais encorpado, com novas guitarras, que o enriquecem e demonstram como o pontapé de saída da banda do Barreiro não poderia ter sido mais certeiro. São dez temas, gravados e misturados pela mão e ouvido de Benjamim, que também participa em dois dos temas do disco, masterizado por Xinobi e editado pela pontiaq e CTL-Musicbox.

O bamboleio que é ver uma banda que se diverte consigo própria a tocar as suas melodias contagiantes em palco dimensiona aquele sentimento de obedecer ao tropicalismo e permitir o suor confundir-se com a roupa que se veste, fazendo antever bons momentos na trilha para os momentos que se avizinham. Uma comemoração de seu nome PISTA que promete levar o calor do Verão ao resto das estações do ano.

 

Cave Story

10 000 Russos

dj-set Stone Daddies

18 de Dezembro | 22.00h

 

Youthless

Pista

dj-set Souljackers

19 de Dezembro | 22.00h